quarta-feira, 24 de março de 2010

Vida

O mundo gira enquanto durmo, e para no momento em que acordo. Não tenho idéia de onde vem a sensação de que perdi o mais importante, que cheguei atrasada, ou que não chegarei por dormir 8 horas de um dia. Porém, o que fazer nestas outras 16? Trabalho percurso, ir, vir, conversar, falar, blá e blá. Lazer de fim de festa? Povo reunido? Mas quem? Mas como?

Um dia desses queria dar uma passada na Lua, no outro queria apagar um incêndio, cuidar uma enfermidade. Poxa, acho que trago isso de criança. Mas como em tudo que quero na vida, segundo aqueles que me rodeiam, estudar é a chave. Então, pela manhã estudo para ser astronauta, a tarde para ser médica e depois a noitinha para ser bombeira. Fácil! Em alguns anos estarei dando meu primeiro passo na lua e lá saberei que alguém está morrendo por eu não estar na terra e que um prédio em chamas cai neste momento e eu não estava de prontidão. Pronto, cadê o mérito de não se fazer presente. Dizem que na antiguidade os Deuses regiam nossas habilidades e nosso caminho. Poxa! Bem mais fácil, imagine! Tendo proteção e aceitando este caminho, não existem erros e diminui a responsabilidade. Pois bem, não quero hoje me afastar das minhas responsabilidades não quero ser mais uma nem desmerecer ninguém, não quero a vitória sem dar uma passada pela derrota, nem a riqueza sem que a pobreza tenha me acompanhado por uns tempos. Isso no bolso, isso na alma. Largada e desleixada, dia sim, dia não. Responsável e admirável dia sim, dia não. A alternância é a regra daqui para frente e o povo que se segure como na voz de um piloto. Apertem os cintos para que tudo decole com a voracidade da marola de um pesqueirinho de um lugar. Como na contradição do sim pelo não ou mesmo do sim simplesmente pelo sim. Vontades, sonhos e a velha balela. Caminhando, caminhando, força nas pernas é o que busco.

A mim desejaria sorte, mas não é bem a questão. A mim desejaria sucesso, mas menos ainda faz parte. A mim desejaria um longo caminho de pedras, pés rachados pelo calor, mãos grossas pelo lavrar, olhos abertos e bom senso. A mim desejaria a vida! E no final, um momento sentado ao por do sol e mala cheia. É isso aí!

Texto de autoria de uma amiga. Tem a ver comigo, além de eu ter achado lindo.

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