sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Contramão - Parte 3 - Escolhas

As escolhas. Muitas pessoas fazem escolhas que mesmo Einstein não conseguiria chegar a uma conclusão e encontrar as razões para tais. Coitado de Freud, que não teria quem trata-lo depois de refletir sobre essas intenções. Suponho que três milhões de anos de história gravados no DNA tenham uma ação muito mais ativa em nosso cérebro do que eu pensava. Controlar alguns instintos pré-históricos é difícil para o homem e para a mulher atual. É algo tão profundo, tão forte e inconsciente que muitas vezes não nos damos conta. Esse desejo louco de reproduzir, de perpetuar a espécie, ou o desejo carnal que às vezes nos domina, nos empurra para tomarmos atitudes deploráveis.

Se você está lendo este texto e sua vontade de continuar está diminuindo, pois pensa que eu sou um padre ou um fanático religioso ou um moralista, fique aí. Sou mais pervertido do que você imagina. Façam sexo o quanto puderem, com quantos quiserem. O que eu condeno, o que eu sempre condeno são erros cometidos, por conta de um impulso instintivo, fruto de uma carga milenar que explode no DNA, acelera os hormônios e bloqueia os neurônios. Esse cobertor que tapa nossa visão, abafa o sentimento (amor) e consequentemente aniquila a razão. Eu condeno os erros cometidos por causa desse desejo impulsivo de ter prazer, de satisfazer o corpo com sexo, de satisfazer o corpo com o corpo de outra pessoa.

Mas de que erros eu estou falando? Estou falando das coisas que a gente esquece porque sente um desejo instintivo, irracional de acalmar a explosão interna que muitos não percebem e não conseguem conter sozinhos porque ela impede de pensar. A gente esquece pessoas que nos amam, esquece promessas feitas, esquece objetivos aos quais nos propusemos alcançar, esquece de fazer uma coisa mais difícil e uma coisa mais simples, mas que requer tempo e dedicação, porque é mais fácil satisfazer o desejo. A gente esquece pessoas que nos esperam e pessoas que esperam algo da gente. É mais fácil satisfazer um desejo e deixar o resto pra depois. Façam sexo quantas vezes quiserem, satisfaçam seus desejos libidinosos quantas vezes conseguirem, mas não esqueçam as coisas e principalmente as pessoas importantes na sua vida. Tuas prioridades devem ser eleitas com base no amor que você sente por elas. No final de tudo, você vai descobrir que faz, que fica, que vai embora, que volta, que chora, que sorri e que perdoa por amor. Não precisa ser o maior amor do mundo. Basta simplesmente amar, por mais ingênuo que seja o amor ou por mais singelo, modesto e humilde que seja.

Então, lembre-se que a escolha é sempre você que faz, seja ela baseada nessa coisa que você tem dentro do crânio ou baseada num instinto jurássico. Afinal, depois de uma evolução (?) de três milhões de anos, desenvolvemos uma massa encefálica cinza-rósea pesando um quilo e trezentos gramas com cem bilhões de células nervosas, conectadas umas às outras e responsáveis pelo controle de todas as funções mentais para alguma utilidade não é?

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