quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Contramão - 4 - Regras

Horário pra acordar, pra tomar banho, pro café, horário de inicio e termino do expediente no trabalho, hora pra almoçar, jantar. Existe a lei, normas e regras jurídicas, escritas ou não, que regem a convivência social, as relações comerciais, entre países, etc. Existem as leis do universo, herméticas, espirituais, da sabedoria. É tanta regra que muitas pessoas quebram, violam algumas delas. Outras seguem a risca quase todas. Existem consequências para a violação de muitas regras, assim como existem para quem segue todas.
Como se não bastasse, as pessoas criam regras próprias, perpetuadas através das gerações. Algumas ainda persistem e outras são abandonadas ou modificadas. Com exceção da maioria das regras jurídicas, a maioria dos costumes (regras tradicionais criadas pelas pessoas) eu não faço questão de obedecer. São pouquíssimas as coisas que eu faço ou deixo de fazer por obediência cega a certas amarras sociais. Isso também ajuda a moldar o ser humano.

O problema é que alguns moldes depois que tomam sua forma (quase) definitiva, congelam. E quando é preciso alcançar alguém ou alguma coisa num degrau mais alto, não sabem como fazê-lo e não conseguem. Pior é quando nesse degrau está alguém, querendo ser alcançado. Também e mais uma vez, o julgamento e as opiniões que são emanadas por este molde, e que são pronunciadas baseadas nas regras e costumes, são, na maioria das vezes precipitadas e equivocadas. Foi aprendido assim, e assim viveu e como não é prejudicial à saúde física, sobreviveu.

E quando é preciso ser alcançado por alguém ou por alguma coisa, impõe-se uma barreira, chamada pré-conceito. Não se excluem conceitos criados, igualmente baseados em costumes antiquados, tortos e equivocados. É parte do caule, está incrustado no molde e é muito complicado arrancar de dentro. Foi aprendido assim e dificilmente os mortais fazem um esforço pra raciocinar ou refletir e pelo menos tentar deixar-se alcançar ou eles próprios alcançarem degraus mais altos.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Contramão - Parte 3 - Escolhas

As escolhas. Muitas pessoas fazem escolhas que mesmo Einstein não conseguiria chegar a uma conclusão e encontrar as razões para tais. Coitado de Freud, que não teria quem trata-lo depois de refletir sobre essas intenções. Suponho que três milhões de anos de história gravados no DNA tenham uma ação muito mais ativa em nosso cérebro do que eu pensava. Controlar alguns instintos pré-históricos é difícil para o homem e para a mulher atual. É algo tão profundo, tão forte e inconsciente que muitas vezes não nos damos conta. Esse desejo louco de reproduzir, de perpetuar a espécie, ou o desejo carnal que às vezes nos domina, nos empurra para tomarmos atitudes deploráveis.

Se você está lendo este texto e sua vontade de continuar está diminuindo, pois pensa que eu sou um padre ou um fanático religioso ou um moralista, fique aí. Sou mais pervertido do que você imagina. Façam sexo o quanto puderem, com quantos quiserem. O que eu condeno, o que eu sempre condeno são erros cometidos, por conta de um impulso instintivo, fruto de uma carga milenar que explode no DNA, acelera os hormônios e bloqueia os neurônios. Esse cobertor que tapa nossa visão, abafa o sentimento (amor) e consequentemente aniquila a razão. Eu condeno os erros cometidos por causa desse desejo impulsivo de ter prazer, de satisfazer o corpo com sexo, de satisfazer o corpo com o corpo de outra pessoa.

Mas de que erros eu estou falando? Estou falando das coisas que a gente esquece porque sente um desejo instintivo, irracional de acalmar a explosão interna que muitos não percebem e não conseguem conter sozinhos porque ela impede de pensar. A gente esquece pessoas que nos amam, esquece promessas feitas, esquece objetivos aos quais nos propusemos alcançar, esquece de fazer uma coisa mais difícil e uma coisa mais simples, mas que requer tempo e dedicação, porque é mais fácil satisfazer o desejo. A gente esquece pessoas que nos esperam e pessoas que esperam algo da gente. É mais fácil satisfazer um desejo e deixar o resto pra depois. Façam sexo quantas vezes quiserem, satisfaçam seus desejos libidinosos quantas vezes conseguirem, mas não esqueçam as coisas e principalmente as pessoas importantes na sua vida. Tuas prioridades devem ser eleitas com base no amor que você sente por elas. No final de tudo, você vai descobrir que faz, que fica, que vai embora, que volta, que chora, que sorri e que perdoa por amor. Não precisa ser o maior amor do mundo. Basta simplesmente amar, por mais ingênuo que seja o amor ou por mais singelo, modesto e humilde que seja.

Então, lembre-se que a escolha é sempre você que faz, seja ela baseada nessa coisa que você tem dentro do crânio ou baseada num instinto jurássico. Afinal, depois de uma evolução (?) de três milhões de anos, desenvolvemos uma massa encefálica cinza-rósea pesando um quilo e trezentos gramas com cem bilhões de células nervosas, conectadas umas às outras e responsáveis pelo controle de todas as funções mentais para alguma utilidade não é?

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Contramão - Parte 2

Lá de onde eu vim, um lugar acanhado no meio do nada, é um planeta pequeno, porém aconchegante, onde não vivem duas pessoas. Atualmente estou neste lugar com mais de cento e oitenta e cinco milhões de seres “correndo sobre este mesmo velho chão”. Eu trouxe do meu berço educação. Também fui pra escola receber a educação formal necessária para algumas batalhas da vida. Mas vou contar um segredo pra vocês. A melhor educação eu ganhei da minha mãe e do meu pai, ganhei com os exemplos errados e os certos deles, com os meus e de todas as pessoas com as quais eu me relacionei.

Porém é necessário ter condições de fazer um discernimento correto a cerca destes exemplos. Eu posso aprender uma coisa sobre um fato e você pode aprender outra, ou não aprender nada, ou ainda aprender algo de maneira distorcida. Você pode entender uma coisa a partir de uma palavra minha dita ou escrita. Não depende só da tua inteligência, mas da bagagem que você carrega. Se você aprendeu a julgar sempre antes, ou se você aprendeu a ser amargo, ou se acostumou a ser do jeito que é, sem que ninguém te ensinasse que é errado ser assim, vai levar isso pra vida inteira e isso vai nortear as tuas relações e tuas escolhas.

Se você escolheu o caminho mais fácil você não vai me encontrar. Eu fui colhendo várias coisas pela estrada na viagem que eu fiz. Paguei caro por algumas, mas te digo que valeu muito a pena. E de tudo que carrego aqui, poucas coisas eu dispenso. E como estou muito vivo e ainda percorrendo esta trilha, por vezes pegando atalhos, outras vezes fazendo a rota mais difícil, ainda aprendo. Obtenho informações sobre mim e como um legitimo extraterrestre colho informações sobre vocês, terráqueos. Mas confesso que estou me tornando um pesquisador frustrado. Porque por mais informações que eu consigo colher, não consigo entender alguns aspectos da personalidade humana desta época. Já desisti de analisar os dados. Só observo, salvo num arquivo pessoal e jogo num canto aqui. É uma espécie de lixeira onde fica tudo de ruim. Todas as falhas, asperezas, as dissimulações de que são capazes pessoas que conheci.
Como eu já disse, não acho difícil ser e agir como eu espero. Talvez ficar esperando alguma coisa seja o problema. Isso me faz pensar que provavelmente eu morava no meio de um sonho cheio de leite condensado, que ficava flutuando numa nuvem. Uma coisa assim, doce e sonhadora. Sendo assim, a cada dia descubro mais pistas sobre mim. Já sei que sou um marciano do passado que aterrissou por engano numa época e num planeta completamente estranho e estou tentando me adaptar aos hábitos e costumes dos habitantes. Com isso, vou descobrindo do que sou feito e entendendo que todo esse conflito acontece porque eu escolhi o coração, a boa educação, a cordialidade, o carinho, a preocupação, mesmo com pessoas que eu mal conheço. E como eu disse, pago caro, e não recebo troco. Às vezes até recebo o troco, mas numa moeda que eu prefiro jogar no lixo. Não me arrependo. Eu sei que pra vocês é conveniente e cômodo o caminho mais fácil. Eu sei que já não é mais mil novecentos e antigamente.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Contramão

Eu vou falar pra vocês que eu tinha chegado a conclusão que eu sou de outro planeta. Agora vou tendo cada vez mais certeza que, além disso, eu devia viver em outra época. Eu, definitivamente devo ser um marciano do passado. Estou perdido nessa época tentando encontrar alguma coisa ou alguem que valha a pena. Já fiz vários testes, a maioria mal sucedidos. Não sei se são os valores que trago comigo, não sei se minha bagagem é muito pesada ou complexa, ou se exijo demais das pessoas desse tempo e dessa Terra.

Eu reflito sempre sobre isso. Eu acho tão fácil de encaixar-se nos requisitos exigidos. Minha viagem no tempo deve ter dado errado em algum momento. Talvez minha máquina do tempo me colocou aqui de propósito ou estava com defeito mesmo. Dizem por aqui que nada é por acaso. Já desconfiei de quem me mandou nessa missão porque meu chip está em conflito com a tecnologia atual. É questão de velocidade de execução das instruções. O processamento dos resultados não está de acordo com os padrões atuais. O povo daqui quer tudo pra ontem. Até entendo esse desejo quando se trata de assuntos formais, empresariais, comerciais, mas não consigo fazer minha memória armazenar essa pressa quando o assunto são sentimentos, pessoas, relações...

Lá na minha terra, no idos de mil novecentos e antigamente se esperava por quase tudo. A gente esperava pessoas chegarem de viagem, esperava uma carta, esperava até comida, esperava o amor. Naquele tempo eu não podia clicar num botão, apertar outro, naquele tempo eu não esperava o telefone tocar. Hoje percebo que ninguém espera ninguém e muito menos alguma coisa. Sentimentos e desejos estão entorpecidos pela ansiedade, pela pressa de querer alguém pronto e completamente perfeito! Até já me acostumei a escutar todos falarem sobre perfeição e sobre ideais e sobre qualidades e defeitos. Eu mesmo faço isso, admito. Estou tentando me adaptar e sofro com o tilt aqui dentro toda vez que meu eu verdadeiro se confronta com meu eu tentando se adaptar. Deve ser porque eu tento por em prática as coisas que eu falo e ainda não aprendi que ninguém faz assim. Ainda não aprendi que é só preciso falar, de preferência pra todos saberem que você é igual. Ou vai ver eu não tomei alguma coisa que me contamine com essa dissimulação, talvez inconsciente, de personalidade.

Não vou por a culpa em quem inventou o computador, a internet, a automação em tudo. Só porque eu não me automatizei também não vou fazer isso. Nunca vou aprender a dizer um “eu te amo” automático e acho que não vou conseguir encontrar desculpas para as minhas atitudes de acordo com o sentido do sopro do vento. E nem vou conseguir parecer outra pessoa, a não ser movido a álcool. Estas grifes que vejo por aí são tão falsas quanto nota de cinquenta centavos. Falando em dinheiro, no filme “O Homem que copiava”, a personagem Silvia (Leandra Leal) recebe um pedido de casamento de André (Lázaro Ramos). Vamos ao diálogo que vai ser melhor de entender.

André: Sílvia? Tu me espera?
Silvia: Espero.
André: Tu... Tu quer casar comigo e sair daqui?
Sílvia: Claro que sim.
André: Pode levar uns seis meses.
Silvia: Eu espero. Eu espero até mais, se precisar. Te cuida.


“Eu espero. Espero até mais se precisar. Te cuida”. Que frase essa!

Estou pensando se preciso terminar este texto depois dessa frase. Eu imagino que as pessoas quando leem ou ouvem algo assim, não conseguem admitir “uma coisa dessas” nem por um segundo. É por essas e outras que vou esperar a minha marciana errar a viagem no tempo e aparecer pra mim dizendo: “poxa, eu já tava cansada de tanto esperar!”.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

DDD

Abaixo segue uma lista das coisas e pessoas com as quais eu me importo. E como eu sei muito bem que o ser humano entende as coisas como lhe convém, é bom explicar que: o que estiver FORA DA LISTA é algo com o qual eu NÃO ME IMPORTO nem um pouco. Tudo o que você não encontrar na lista abaixo pode crer que é uma coisa sem a mínima importância pra mim.

Eu me importo com:

- meu filho;

- minha família;

- meus amigos SINCEROS;

- pessoas que se importam sinceramente comigo;

- comigo mesmo;


Portanto, não me venha com xurumelas. Gaste tua saliva e teus dedos a vontade falando sobre mim. A única coisa que vou sentir é pena e desprezo.

Eu

Eu sou uma criança.
Com alma de criança
Gosto de brincadeiras de criança e de brincadeiras de gente grande.
Assuntos sérios, eu trato com seriedade.
Mas bom-humor pra mim é o que há.
Eu ódio mau humor.
Tenho muito de inocência.
Ma s já vou avisando que sou uma criança inteligente.
Vivi o bastante pra saber quem eu sou, o que eu quero e do que eu gosto.
Mas como criança que sou, ainda tenho muito que aprender.
Eu não ligo pro que falam de mim.
Sou uma criança hiperativa ou se você preferir diga que sou intenso.
Não fique com medo. Apesar de eu ser uma criança aprendi a amar e aprendi que essas coisas de amar e ser amado são complicadas.
E apesar de ser criança, na maior parte do tempo penso como gente grande.
Eu inteiro, da cabeça aos pés, amo apaixonadamente música.
Mas como criança que sou, não sei fazer restrições. Toda regra tem exceção. Então, tirando músicas realmente ruins, como estilo Calypso, sertanejas dor de corno e pagodes ruins, de resto eu gosto de tudo.
Amo apaixonadamente sol, praia, calor, mar, água, areia...
Deve ser porque isso representa a liberdade e a intensidade. Ou a intensidade da liberdade.
Pra saber mais de mim, só cuidando.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Lados

Às vezes só um par de ouvidos basta
Às vezes é mais fácil chegar
Com alguém do lado
Às vezes é mais fácil se alguém te espera
Às vezes precisamos ir sozinhos
Às vezes é mais fácil quando há alguém pra enxugar teus olhos
Às vezes é preciso enxugar sozinho
Às vezes é mais fácil quando encontra um olhar carinhoso no caminho
Seja na ida
Seja na volta
Às vezes é mais fácil quando alguém te deixa
Em outras é mais fácil quando alguém te segura
Às vezes é mais fácil rir
Às vezes é preciso chorar
Às vezes é mais fácil gritar
Às vezes é preciso calar
Às vezes é mais fácil ficar lá fora
Às vezes é preciso enfrentar
Às vezes é mais fácil perguntar
Às vezes é preciso responder
Às vezes é mais fácil julgar
Às vezes é preciso compreender
Às vezes é mais fácil culpar
Às vezes é preciso tolerar

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