Eu tenho um código de ética próprio. Além daquelas regrinhas básicas que a gente aprende, eu tenho algumas coisas que não gosto ou me recuso a fazer. Não sei se mais alguém é assim, mas eu sou. Deve ser por isso que algumas pessoas me enojam as vezes. Deve ser por isso que eu cheguei a conclusão de que sou de outro planeta. Porem, eu vivo desafiando o meu código de ética. Mas não é um desafio proposital. Explicando melhor, eu vivo batendo de frente com ele. “A língua é o chicote da bunda”. Meu Deus, este deve ser um dos principais lemas da minha vida. Eu to pra conhecer uma pessoa que faz afirmações e logo depois, virando a esquina, se depara com aquilo que disse, como se fosse um desafio, acompanhado da frase: “e agora?”.
Eu sei que eu me conheço muito bem. Não cem por cento, mas uma grande parcela de mim mesmo eu já desvendei. Culpa de 3 anos de faculdade de Psicologia, algumas sessões de análise, da minha inteligência, da minha autovigilância (presto muita atenção em mim, em tudo que eu penso, faço, e nos porquês) e da minha autocrítica severa. Eu sempre procuro ser alguém melhor. Todos os dias. Sei dos meus defeitos e sou teimoso em aceitar outros. Tento não ser hipócrita, ser sincero com meus pensamentos e sentimentos e não me contradizer. Pra viver melhor, e me relacionar melhor com as pessoas eu tinha decidido deixar meu passado no passado. Não demora muito pra mim receber uma mensagem no celular de uma ex-namorada minha que eu amei muito mas que me deixou sabe-se lá porque. Se diz muito arrependida e muito burra por ter feito o que fez. Se diz apaixonada e me chama de amor. Lembrou de tudo que fizemos e fez planos pro futuro. Eu sempre disse que voltar com ex-namoradas eu nunca faria. A pessoa já teve a sua chance. “isso é coisa que eu jamais vou fazer”. Bom, eu não voltei com ela ainda. Mas é difícil não balançar. Eu amei muito ela. Mas o que ela fez foi muito grave, foi muito sério. Resumindo: Mentir pra mim que tinha ido pra Alemanha. Eu, é claro, acreditei. A principio, ou no principio eu sempre acredito nas pessoas. Ela ainda estava morando na cidade dela. Encontrei ela pelo Orkut. A mágoa, a tristeza e a decepção foram enormes. Eu nunca mais fui o mesmo depois daquilo. Eu exijo o melhor das pessoas sempre, porque no país em que vivemos, com toda a falta de ética e tudo de ruim de que temos conhecimento, é o mínimo que posso exigir. Em breve vou saber se vou apanhar do chicote da língua. Provavelmente nesse caso não. Já chega o que eu apanho no dia-a-dia com coisas que eu digo que sou contra, que não gosto e elas sempre se apresentam pra mim como uma tentação. Quando acontece isso eu dou risada, olho lá pra cima e sigo em frente.
PS: provavelmente algum assunto ou frase tratado acima já deve ter sido abordado nesse blog. ignorem.
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