quarta-feira, 9 de novembro de 2011

A Arte de Perder

A arte de perder não é nenhum mistério;
Tantas coisas contêm em si o acidente
De perdê-las, que perder não é nada sério.
Perca um pouquinho a cada dia. Aceite, austero,
A chave perdida, a hora gasta bestamente.
A arte de perder não é nenhum mistério.
Depois perca mais rápido, com mais critério:
Lugares, nomes, a escala subseqüente
Da viagem não feita. Nada disso é sério.
Perdi o relógio de mamãe. Ah! E nem quero
Lembrar a perda de três casas excelentes.
A arte de perder não é nenhum mistério.
Perdi duas cidades lindas. E um império
Que era meu, dois rios, e mais um continente.
Tenho saudade deles. Mas não é nada sério.
– Mesmo perder você (a voz, o riso etéreo que eu amo) não muda nada. Pois é evidente
que a arte de perder não chega a ser mistério por mais que pareça muito sério.




Elizabeth Bishop

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

The Laughing Heart

sua vida é sua vida
não se deixe abater por essa sua fria submissão
fique atento
existem caminhos por fora
há uma luz em algum lugar
pode não ser muita luz, mas ainda assim ela bate a escuridão
fique atento
os deuses nos oferecem chances
reconheça as
agarre as
você não pode vencer a morte, mas você pode vencer a morte em vida, às vezes
e quanto mais você aprender a fazê-lo, mais luz haverá.
sua vida é sua vida
saiba enquanto você a tem
você é maravilhoso
os deuses esperam pra te dar prazer, satisfação.

Poema de Charles Bukowski

domingo, 29 de maio de 2011

Amor 05/2011

Você só vai aprender a amar e amar de verdade quando amar as coisas mais simples que vocês fizerem juntos, como andarem juntos de mãos dadas, rirem juntos das besteiras mais idiotas, se abraçarem, ficar deitados um de frente pro outro na cama se olhando.

Você só vai aprender a amar de verdade quando entender que compreensão não é só um substantivo feminino. É uma atitude necessária para cultivar o sentimento que você sempre sonhou encontrar em outra pessoa.

Você só vai aprender a amar de verdade quando entender que para amar não precisa ficar exigindo nada da outra pessoa. Se ela te ama, ela vai te dar tudo o que for necessário pra esse amor continuar: carinho, respeito, cuidado, sinceridade, um abraço, a mão, apoio...

Você só vai aprender a amar de verdade quando as tuas decisões vierem acompanhadas de responsabilidade, maturidade pra saber o que quer e de carinho lembrando da pessoa que você ama.

Você só vai aprender a amar de verdade quando entender que amor não é só uma substantivo masculino; quando entender que amor não é só uma palavra pra ser dita ou usada como moeda de troca; quando você entender que amor é um sentimento que deve ser expresso em atitudes.

Amar é mais ou menos isso, dependendo do ponto de vista.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

SetList

Eu corro todos os dias.
E na grande maioria das vezes eu escuto música enquanto corro.

Nessa ordem, a lista da vez é essa:

I don't wanna wait - SOJA

You and Me - SOJA

Whatever - Oasis

Wonderwall - Oasis

Brindo - Devendra Banhart

Home - Edward Sharpe and The Magnetic Zeros

Day'n Night - Kid Cudi

What do you want from me - Adam Lambert

Show me the money - Petey Pablo

Barbra Streisand - Duck Sauce

Come As You Are - Nirvana

I told y'all - Petey Pablo

Não é proibido - Marisa Monte

Só os loucos sabem - Charlie Brown Jr

Ten Toes Down - 8 Ball and MJG

Tudo Diferente - Maria Gadu

Faithless (Insomnia) - Dj Viktor Mora and Dj Naccarati

Me and You - Viktor Mora and Naccarati

Love is the Answer - Viktor Mora and Naccarati

sábado, 29 de janeiro de 2011

Ame




Tempo de muito trabalho e pouco descanso.
Pouco tempo pra escrever. Pouco tempo pra inspiração.
Mas as vezes, eu lembro de quem eu sou.

E busco em algumas pessoas, mensagens que me ajudam nessa lembrança.

Se tivesse de dar um conselho a uma mulher, qual seria ele? Ame!
A uma jovem? Ame!
A uma criança? Ame!
Como gostaria de viver? Sem dormir, rodeado de amigos fiéis.
Quem são seus amigos mais fiéis? Meus verdadeiros amigos são, todos eles, fiéis.

Trecho de entrevista com Edith Piaf publicada na revista Music-Hall, no.59, fevereiro de 1960

quinta-feira, 1 de julho de 2010

A única exceção

(...)Talvez eu saiba em algum lugar no fundo de minha alma
Que o amor nunca dura
E nós temos que arranjar outros meios de seguir
Em frente sozinhos ou manter o semblante impassível
E eu sempre vivi assim
Mantendo uma distância confortável
E até agora eu jurei pra mim mesma
Que eu era feliz com a solidão
Porque nada disso nunca valeu o risco
(...)
Eu me agarro firme à realidade
Mas não posso deixar o que está aqui diante de mim
Eu sei que vais embora pela manhã, quando acordar
Me deixe com alguma prova de que isso não foi um sonho
(...)

Trecho de: The Only Exception - Paramore

Aquece

O inferno deve ser um iceberg
Com o vento frio congelante
Faz nevar nos trópicos femininos
Camada de gelo no olhar
Pedra de gelo no peito
O gelo candente queima
O inverno castiga
Todos os órfãos do sol
Açoite no corpo desprovido
Eu prefiro o aquecimento global
Meu corpo integralmente quente
Gelo derretido desmente
Brisa quente despe
Sol que aquece e ferve
Pele, alma e coração.
Qualquer mergulho sacia o calor
Qualquer banho acalma a fogueira
Tira tuas vestes pra libertar o fogo
Fusão do teu chão evaporando
No meu suando
A mulher verão é infernal
Mulher tropical me derrete
A mulher inverno é normal
Quase um iceberg... inteiro
Mulher verão é um vulcão
Mulher verão é exceção
Derrete meus trópicos
Ferve meu sangue
Ferve, esquenta, aquece...
Quando o sol toca acende
Mulher inverno apaga.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Desta vez




Essa música me lembra um filme
Me lembra um amor
Me lembra domingo
Me lembra sofá
Essa musica traz todas as lembranças
Essa musica me lembra lagrimas contidas
Essa música me lembra um abraço
Essa música me lembra sorrisos
Sonhos, planos
Essa musica me lembra um amor perdido no meio do caminho


Desta Vez

Esta noite, o céu acima
Me lembra de você, amor
Andando através do inverno
Quando todas as estrelas brilham
O anjo na escada
Irá lhe dizer que eu estava lá
Sob o alpendre frente a luz
Em uma noite misteriosa

Estive sentado vendo a vida passar sobre mim
Esperando um sonho entrar através das minhas cortinas
Gostaria de saber o que poderia acontecer se eu deixasse tudo isso para trás
Com o vento soprando ás minhas costas? Talvez eu pudesse te desligar da minha mente
Desta vez

As luzes de neon dos bares
E faróis dos carros
Teriam iniciado uma sinfonia
Dentro de mim
As coisas eu deixaria para trás
Teriam derretido em minha mente
E agora há uma pureza
Dentro de mim

Estive sentado vendo a vida passar sobre mim
Esperando um sonho entrar através das minhas cortinas
Gostaria de saber o que poderia acontecer se eu deixasse tudo isso para trás
Com o vento soprando ás minhas costas? Talvez eu pudesse te desligar da minha mente
Desta vez

Estive sentado vendo a vida passar sobre mim
Esperando um sonho entrar através das minhas cortinas
Gostaria de saber o que poderia acontecer se eu deixasse tudo isso para trás
Com o vento soprando ás minhas costas? Talvez eu pudesse te desligar da minha mente
Desta vez

terça-feira, 22 de junho de 2010

5 aberturas de sonetos




1. Luiz Vaz de Camões (1524 – 1580):

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança,
Todo mundo é composto de mudanças,
Tomando sempre novas qualidades.


Mais de 400 anos atrás, Camões já tinha entendido que as coisas passam, que tudo muda, dos aspectos mais externos aos mais internos. A sabedoria do autor de Os Lusíadas estava em perceber isso e não ficar aborrecendo o leitor nem com choradeiras pelo que já tinha ido, nem com recomendações para que se tentasse parar o curso da vida.



2. Alphonsus de Guimaraens (1870 – 1921): O Náufrago

E temo, e temo tudo, e nem sei o que temo.
Perde-se o meu olhar pelas trevas sem fim.
Medonha é a escuridão do céu, de extremo a extremo.
De que noite sem luar, mísero e triste, vim?


O velho Alphonsus, que mudou até o nome para ficar mais conspícuo, soube dar uma competente noticia da sensação de estar perdido: como um naufrago, o sujeito teme, teme tudo e teme o desconhecido, que é o pior dos inimigos.



3. Augusto dos Anjos (1884 – 1914): Versos Íntimos

Vês! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua ultima quimera.
Somente a Ingratidão – esta quimera –
Foi tua companheira inseparável!...


Um clássico escolar, um raro poema capaz de encantar adolescentes rebeldes e sem paciência para a leitura. Por quê? Porque o soneto inventa uma distancia adequada em relação ao problema da desilusão, que todos nós conhecemos.



4. Carlos Drummond de Andrade (1902 – 1987): Soneto da Perdida Esperança

Perdi o bonde e a esperança.
Volto pálido para casa.
A rua é inútil e nenhum auto
Passaria sobre o meu corpo


Aquela suave melancolia que o poeta maior cultivou como poucos aqui aparece na forma de crônica breve da vida urbana moderna: nem chega ser uma vontade de suicídio, mas um desconsolo pela solidão geral, acachapante, inevitável – mas isso dito de modo ameno, justapondo o bonde e a esperança, o concreto e o abstrato, o chão e o sublime.



5. Vinicius de Moraes (1913 – 1980): Soneto da Fidelidade

De tudo, ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento


Uma cantada irresistível, em forma de declaração de intenções relativas a fidelidade, escrita por um homem que teve vários amores – mas cada um absoluto, como ele diz nos dois últimos versos: “Que não seja imortal, posto que é chama/Mas que seja infinito enquanto dure”.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Dane-se o passado



Andei dando uma espiada nos arquivos aqui do meu queriiido blog e não achei nenhuma postagem sobre uma das minhas mulheres.

Vi o filme sobre a vida dela (Piaf - Um Hino ao Amor), li um pouco mais sobre ela, escutei as músicas e vi as letras.

Uma das letras tem muito a ver comigo e compartilho com vocês


Je ne regrette rien
Charles Dumont e Michel Vaucaire

Non! Rien de rien ...
Non ! Je ne regrette rien
Ni le bien qu'on m'a fait
Ni le mal tout ça m'est bien égal !

Non ! Rien de rien ...
Non ! Je ne regrette rien...
C'est payé, balayé, oublié
Je me fous du passé!

Avec mes souvenirs
J'ai allumé le feu
Mes chagrins, mes plaisirs
Je n'ai plus besoin d'eux !

Balayés les amours
Et tous leurs trémolos
Balayés pour toujours
Je repars à zéro ...

Non ! Rien de rien ...
Non ! Je ne regrette nen ...
Ni le bien, qu'on m'a fait
Ni le mal, tout ça m'est bien égal !

Non ! Rien de rien ...
Non ! Je ne regrette rien ...
Car ma vie, car mes joies
Aujourd'hui, ça commence avec toi !



Não! Eu não lamento nada (1)

Não! Nada de nada...
Não! Eu não lamento nada...
Nem o bem que me fizeram
Nem o mal - isso tudo me é igual!

Não, nada de nada...
Não! Eu não lamento nada...
Está pago, varrido, esquecido
Não me importa o passado! (2)


Com minhas lembranças
Acendi o fogo (3)
Minhas mágoas, meus prazeres
Não preciso mais deles!

Varridos os amores
E todos os seus "tremolos" (4)
Varridos para sempre
Recomeço do zero.

Não! Nada de nada...
Não! Não lamento nada...!
Nem o bem que me fizeram
Nem o mal, isso tudo me é bem igual!


Não! Nada de nada...
Não! Não lamento nada...
Pois, minha vida, pois, minhas alegrias
Hoje, começam com você!

(1) Poderia ser "não me lamento de nada"
(2) Seria um pouco mais pesado, tipo "dane-se o passado", mas, acho que fica melhor assim.
(3) O sentido é de queimar as lembranças, como se fosse acender uma lareira
(4) A letra se refere ao "tremolo" musical, que o Houaiss refere como sendo tremolo mesmo, em português, ou "vibrato"


Referências: http://www.bibi-piaf.com/musicas_html/je_ne_regrette_rien.htm
http://www.123playlist.com/search/mp3/1/je-ne-regrette-rien.html

Copa do Mundo 2010 - África (as vuvuzelas)





Isso deve ter começado mais ou menos assim: um (in)feliz africano viu essa corneta em algum lugar em alguma TV e teve a idéia de disponibilizar esse instrumento na África. Aí conseguiu convencer outro africano ou provavelmente tenha ido ele mesmo num estádio torcer pro seu time de rugbi ou de futebol.

Chegando lá, começou a assoprar a corneta. Os outros viram e acharam legal e quiseram fazer igual. Assim disseminou-se a corneta na África.

Tendo sido assim ou de outra maneira o que importa é que todos os africanos sopram incansavelmente a vuvuzela. Azar o nosso (meu) que vou ter que aguentar esse barulho durante as transmissões. Ainda bem que não fui assistir os jogos. Eu ia ser preso na África por assassinar um africano com uma vuvuzela enfiada no ... na boca.

Tenho certeza que seria infinitamente mais bonito se meus queridos ancestrais entoassem seus cantos tribais ou qualquer outra canção africana nos estádios. Mas alguém os convenceu que aquele barulho sem sentido é bonito, então da-lhe vuvuzela.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Não me venha mais com amor

Conheci ontem a noite a nova música da Marina Lima com o título "Não me venha mais com amor". Decidi posta-la aqui porque tem muito a ver com meu atual momento. Não vou escrever detalhes sobre isso, pois não tem motivo.
Então vou deixar o vídeo e a letra (extra-oficial) da música:



Não me vem que dessa você não se safa
Só eu sei te dar o melhor
Noites de subir pelas paredes altas
Noites de incendiar o lençol
Noites de ver estrelas sob o teto do quarto
Noites de apurar o sabor
Noites inteiras com manobras de risco no ato
Só não me venha mais com amor
A noite nos impõe essa cadencia farta de fluir e requebrar
Ondas violentas, olhos de ressaca
Salve as noites de se afogar
Quando pinta uns medos e uns pensamentos
Desses de esfriar o calor
Lembro das noites que tivemos de goza e rebento
Só não me venha mais com amor
Só não me venha mais com amor
Só não me venha mais com amor

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Mecânica

Eu maximizo alegria e felicidade quando meus problemas e minha tristeza tentam ser mais fortes que a minha força.

Pelo menos por alguns momentos eu consigo acionar esse mecanismo para esquecer a escuridão.

Eu já comprovei algumas teorias. E estou comprovando outras teorias relacionadas a mim mesmo.

Eu devo ter alguma maldição. Se eu não tiver, talvez o tempo vai me responder ou devo ter algum defeito muito sério que as mulheres não gostam e até hoje eu não sei.

Quem me quer tanto quanto eu espero que me queira eu não quero. E todas que eu quis até hoje, ou não me quiseram ou ficaram comigo apenas por um breve período de tempo.

Existem muitas músicas que dizem que nada é pra sempre, que o pra sempre sempre acaba, etc.

Eu sempre fui teimoso com isso e sempre quis contrariar estas estrofes.

Não sei se escolhi sempre o jeito mais difícil, me relacionando com pessoas que moram em cidades distantes.
Coisa complicada isso de namorar alguém que mora longe.
Difícil amadurecer a confiança.
Difícil amadurecer o bolso com tantas viagens e gastos telefônicos quando você paga muitas contas.
Difícil matar no peito e aguentar a saudade, a vontade, a tristeza.

Sempre desconfiei de amores e paixões arrebatadoras que surgem em uma semana.
Eu sempre começo um namoro me perguntando até quando vai durar.
Sempre deixo um dos meus pés lá atrás.
E mesmo assim, por amar, me dedicar, me doar de corpo e alma pra alguém, é difícil não ser derrubado por uma profunda tristeza e decepção.

Sempre maximizei o aprendizado de todas as situações, inclusive estas.
Tirar algo bom de alguém ou de alguma coisa.
Ver o lado positivo.

Dessa vez, talvez eu aprenda que quando eu tomo decisões, por mais que a tentação seja grande, vou fugir pra bem longe da paixão.

E só vou me entregar quando eu cansar de correr e quando os argumentos forem fortes e sinceros e quando o querer for muito, for concreto e for pra sempre.

E quando eu me entregar, que eu seja um soldado me entregando ao inimigo mais cruel e que as minhas informações morram comigo, seja num tumulo ou seja numa cama.

E que as minhas juras de amor parem por sentir sede e fome de algo profundamente sincero e intenso e recíproco.

Sei que talvez um dia desses, amanhã talvez, tudo isso que eu falei vai se desfazer como poeira no vento e eu vou estar fazendo tudo que eu falei que não ia fazer, talvez com a mesma pessoa, ou talvez com outra.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Parecido

Lá onde sopra o vendo mais forte e teus cabelos se divertem.
Onde o céu exibe na sua tela, a lua.
E as estrelas são coadjuvantes.
Lá onde o caminho é mais cru.
E a caminhada é mais nua.
Onde o silêncio é acolhido como companheiro.
E teus olhos ecoam a beleza até o fim.
Teu berço.
Além dos teus gestos, os olhos selvagens de quem espreita.
Lá onde o tempo passa como no principio.
Onde o que te espera não é concreto.
E as únicas notas, são os acordes ancestrais da vida.
Além dos nossos desejos, a fome.
Teus valores.
Lá onde a felicidade é ser
Aonde a liberdade vai presa com a responsabilidade.
E a certeza de que amanhã tudo vai existir exatamente como ontem.
Onde o ciclo não é monotonia e sim regra.
Lá onde a existência é respeito.
E o que morre é paz.
Onde o que muda é o exterior.
E o intimo é original somente aperfeiçoado.
Lá onde os vagalumes se beijam.
E teu coração encontra motivo pra bater forte.
Teu toque é permitido como convite, faísca e ponte.
Lá onde todos os teus medos não tem espaço.
Onde tua bagagem contém só o essencial ao espírito.
E todos os sorrisos e palavras e olhares pintam a verdade.
Lá onde eu deveria morar.
Eu moro.
Lá onde o amor não traz feridas.
Onde todas as luzes, cores e sons estão em sintonia com teus movimentos.
Como se fosse uma dança ensaiada no mais perfeito roteiro no mais perfeito cenário.
Parecendo um sonho medido peça por peça como se fosse imaginado por Deus.
Algo que nem os anjos pudessem imaginar melhor.
Lá onde o amor acontece assim até o fim.
E teu coração sabe o que é começar e continuar sem ponto final.

quarta-feira, 31 de março de 2010

?

Por qual caminho vai um coração castigado?
Quais escolhas faz um coração calejado?
Como caminha um gato escaldado?
Afinal, existe um rio de lágrimas?
O tamanho deste rio equivale ao tamanho do coração e consequentemente ao tamanho do amor que se tem pra dar?
Já não consigo mais chorar por motivos tristes, nem por mágoas e decepções.
Pra onde vão a razão e a lógica quando um coração está efervescente de paixão?
Qual a dependência do teu querer e do teu amor?
Por que a rebeldia do desejo?

quarta-feira, 24 de março de 2010

Vida

O mundo gira enquanto durmo, e para no momento em que acordo. Não tenho idéia de onde vem a sensação de que perdi o mais importante, que cheguei atrasada, ou que não chegarei por dormir 8 horas de um dia. Porém, o que fazer nestas outras 16? Trabalho percurso, ir, vir, conversar, falar, blá e blá. Lazer de fim de festa? Povo reunido? Mas quem? Mas como?

Um dia desses queria dar uma passada na Lua, no outro queria apagar um incêndio, cuidar uma enfermidade. Poxa, acho que trago isso de criança. Mas como em tudo que quero na vida, segundo aqueles que me rodeiam, estudar é a chave. Então, pela manhã estudo para ser astronauta, a tarde para ser médica e depois a noitinha para ser bombeira. Fácil! Em alguns anos estarei dando meu primeiro passo na lua e lá saberei que alguém está morrendo por eu não estar na terra e que um prédio em chamas cai neste momento e eu não estava de prontidão. Pronto, cadê o mérito de não se fazer presente. Dizem que na antiguidade os Deuses regiam nossas habilidades e nosso caminho. Poxa! Bem mais fácil, imagine! Tendo proteção e aceitando este caminho, não existem erros e diminui a responsabilidade. Pois bem, não quero hoje me afastar das minhas responsabilidades não quero ser mais uma nem desmerecer ninguém, não quero a vitória sem dar uma passada pela derrota, nem a riqueza sem que a pobreza tenha me acompanhado por uns tempos. Isso no bolso, isso na alma. Largada e desleixada, dia sim, dia não. Responsável e admirável dia sim, dia não. A alternância é a regra daqui para frente e o povo que se segure como na voz de um piloto. Apertem os cintos para que tudo decole com a voracidade da marola de um pesqueirinho de um lugar. Como na contradição do sim pelo não ou mesmo do sim simplesmente pelo sim. Vontades, sonhos e a velha balela. Caminhando, caminhando, força nas pernas é o que busco.

A mim desejaria sorte, mas não é bem a questão. A mim desejaria sucesso, mas menos ainda faz parte. A mim desejaria um longo caminho de pedras, pés rachados pelo calor, mãos grossas pelo lavrar, olhos abertos e bom senso. A mim desejaria a vida! E no final, um momento sentado ao por do sol e mala cheia. É isso aí!

Texto de autoria de uma amiga. Tem a ver comigo, além de eu ter achado lindo.

domingo, 21 de março de 2010

Carpe diem

Viva cada dia como se fosse o último. Viva intensamente. Quantas vezes ouvimos isso ou afirmamos que fazemos isso. E quantas vezes realmente fazemos isso? E como fazemos isso? Como é viver cada dia como se fosse o último ou viver intensamente? Eu já perdi a conta dos adjetivos que me foram atribuídos por viver em alta velocidade.
Sigo minha lógica particular de lidar com o mundo, com as pessoas e com os problemas. Por esse motivo, cheguei à conclusão definitiva que nasci na época errada ou talvez no planeta errado. Você já sabe disso se leu um texto abaixo.
Na última vez que saí na balada, quase morri. Meu amigo me perguntou se eu pensei que o mundo ia acabar naquele sábado. Nos amores eu sigo a lógica de quem pula de bungee jump. Tem um pequeno risco envolvido, no qual a corda pode arrebentar, do lado mais fraco. Mas eu me jogo mesmo. Isso sempre foi difícil pras pessoas entenderem. Porque eu abdico de certas regras na vida e no amor. Prefiro não seguir muitas regras que a maioria segue. O meu roteiro é diferente. No meu mundo não existem dissimulações, nem jogos. Se eu sinto vontade eu falo, se eu gosto, eu digo, se eu amo eu digo. E eu nunca disse “eu te amo” da boca pra fora ou com segundas intenções. Todos foram sinceros. O problema está nas regras e no roteiro. Quem disse que quando a gente diz “eu te amo” tem que ser amor pra casamento? Um bom exemplo são pessoas que não sabem receber um elogio e responder com educação com um simples “obrigado”. Alguns seres que eu conheço acham que é um pedido de casamento. Aquele texto lindo da Veronica Shoffstall, Depois de um tempo, diz muito sobre o que estou tentando falar. E outro texto, atribuído a Arthur da Távola, também diz que amor se vive.
Já pensei se eu tenho um manual ou se é preciso de um pra lidar comigo. Mas acho que não. O problema é mesmo o roteiro e as regras. Ou as pessoas tem medo de velocidade (risos). O importante que vocês devem saber é que eu vivo intensamente mesmo e não sei viver de outra maneira. Eu brigo mesmo quando algo não está certo. E me apaixono mesmo quando me encanto. E me desapaixono quando sinto cheiro podre de coisas que não gosto. Eu não sei o que vai acontecer amanhã e por isso decidi ser completamente livre e dizer “eu te amo” pra quem eu amo e demonstrar todo meu carinho e ajudar sempre que precisarem de ajuda. Esse meu jeito de viver tem seus prós e contras. A maioria do povo sempre vai achar você maluco por ser assim. Ninguém mais entende um simples gesto de carinho ou simplesmente de ajuda. Saibam que comigo só está o que me interessa. Em mim só vive o que me faz bem. De mim você terá o melhor até me mostrar que não quer mais. Pureza e nobreza no coração são essenciais dentro de ti pra conseguir se encontrar comigo. Acima de tudo muita paciência e compreensão pra entender meus defeitos, pra esperar eu chegar e pra aceitar minha velocidade.
Eu tenho um medo das coisas que eu escrevo. Primeiro porque tenho medo da força das minhas palavras. Elas sempre se voltam contra mim. SEMPRE! Eu digo uma coisa e lá vem a mão do destino me mostrar outra coisa. Eu afirmo categoricamente uma coisa e lá vem o dedo apontar ou colocar outra coisa no meu caminho. Segundo porque hoje as pessoas entendem o que bem quiserem. Por isso, quero deixar claro que eu não saio gostando ou dizendo eu te amo pra todas as pessoas que encontro. Eu conheço primeiro e se eu gostar, pronto. Se eu gostar muito, pronto. Paixão acontece e pronto. Fez coisa errada eu fico triste, às vezes falo, às vezes brigo e desgosto com a mesma rapidez. Se não tem reciprocidade, eu simplesmente abandono. Alias reciprocidade é uma coisa rara quando o que prevalece são os interesses. Pare, olhe, escute. Tudo gira em torno dos interesses.
Digo pra vocês que apesar de eu ser intenso, depois de um tempo eu aprendi a desacelerar. E aprendi a ser sutil. E por isso já me apaixonei e ela não ficou sabendo. Já amei e fui tão sutil que ela não percebeu.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Contramão - 4 - Regras

Horário pra acordar, pra tomar banho, pro café, horário de inicio e termino do expediente no trabalho, hora pra almoçar, jantar. Existe a lei, normas e regras jurídicas, escritas ou não, que regem a convivência social, as relações comerciais, entre países, etc. Existem as leis do universo, herméticas, espirituais, da sabedoria. É tanta regra que muitas pessoas quebram, violam algumas delas. Outras seguem a risca quase todas. Existem consequências para a violação de muitas regras, assim como existem para quem segue todas.
Como se não bastasse, as pessoas criam regras próprias, perpetuadas através das gerações. Algumas ainda persistem e outras são abandonadas ou modificadas. Com exceção da maioria das regras jurídicas, a maioria dos costumes (regras tradicionais criadas pelas pessoas) eu não faço questão de obedecer. São pouquíssimas as coisas que eu faço ou deixo de fazer por obediência cega a certas amarras sociais. Isso também ajuda a moldar o ser humano.

O problema é que alguns moldes depois que tomam sua forma (quase) definitiva, congelam. E quando é preciso alcançar alguém ou alguma coisa num degrau mais alto, não sabem como fazê-lo e não conseguem. Pior é quando nesse degrau está alguém, querendo ser alcançado. Também e mais uma vez, o julgamento e as opiniões que são emanadas por este molde, e que são pronunciadas baseadas nas regras e costumes, são, na maioria das vezes precipitadas e equivocadas. Foi aprendido assim, e assim viveu e como não é prejudicial à saúde física, sobreviveu.

E quando é preciso ser alcançado por alguém ou por alguma coisa, impõe-se uma barreira, chamada pré-conceito. Não se excluem conceitos criados, igualmente baseados em costumes antiquados, tortos e equivocados. É parte do caule, está incrustado no molde e é muito complicado arrancar de dentro. Foi aprendido assim e dificilmente os mortais fazem um esforço pra raciocinar ou refletir e pelo menos tentar deixar-se alcançar ou eles próprios alcançarem degraus mais altos.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Contramão - Parte 3 - Escolhas

As escolhas. Muitas pessoas fazem escolhas que mesmo Einstein não conseguiria chegar a uma conclusão e encontrar as razões para tais. Coitado de Freud, que não teria quem trata-lo depois de refletir sobre essas intenções. Suponho que três milhões de anos de história gravados no DNA tenham uma ação muito mais ativa em nosso cérebro do que eu pensava. Controlar alguns instintos pré-históricos é difícil para o homem e para a mulher atual. É algo tão profundo, tão forte e inconsciente que muitas vezes não nos damos conta. Esse desejo louco de reproduzir, de perpetuar a espécie, ou o desejo carnal que às vezes nos domina, nos empurra para tomarmos atitudes deploráveis.

Se você está lendo este texto e sua vontade de continuar está diminuindo, pois pensa que eu sou um padre ou um fanático religioso ou um moralista, fique aí. Sou mais pervertido do que você imagina. Façam sexo o quanto puderem, com quantos quiserem. O que eu condeno, o que eu sempre condeno são erros cometidos, por conta de um impulso instintivo, fruto de uma carga milenar que explode no DNA, acelera os hormônios e bloqueia os neurônios. Esse cobertor que tapa nossa visão, abafa o sentimento (amor) e consequentemente aniquila a razão. Eu condeno os erros cometidos por causa desse desejo impulsivo de ter prazer, de satisfazer o corpo com sexo, de satisfazer o corpo com o corpo de outra pessoa.

Mas de que erros eu estou falando? Estou falando das coisas que a gente esquece porque sente um desejo instintivo, irracional de acalmar a explosão interna que muitos não percebem e não conseguem conter sozinhos porque ela impede de pensar. A gente esquece pessoas que nos amam, esquece promessas feitas, esquece objetivos aos quais nos propusemos alcançar, esquece de fazer uma coisa mais difícil e uma coisa mais simples, mas que requer tempo e dedicação, porque é mais fácil satisfazer o desejo. A gente esquece pessoas que nos esperam e pessoas que esperam algo da gente. É mais fácil satisfazer um desejo e deixar o resto pra depois. Façam sexo quantas vezes quiserem, satisfaçam seus desejos libidinosos quantas vezes conseguirem, mas não esqueçam as coisas e principalmente as pessoas importantes na sua vida. Tuas prioridades devem ser eleitas com base no amor que você sente por elas. No final de tudo, você vai descobrir que faz, que fica, que vai embora, que volta, que chora, que sorri e que perdoa por amor. Não precisa ser o maior amor do mundo. Basta simplesmente amar, por mais ingênuo que seja o amor ou por mais singelo, modesto e humilde que seja.

Então, lembre-se que a escolha é sempre você que faz, seja ela baseada nessa coisa que você tem dentro do crânio ou baseada num instinto jurássico. Afinal, depois de uma evolução (?) de três milhões de anos, desenvolvemos uma massa encefálica cinza-rósea pesando um quilo e trezentos gramas com cem bilhões de células nervosas, conectadas umas às outras e responsáveis pelo controle de todas as funções mentais para alguma utilidade não é?

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Contramão - Parte 2

Lá de onde eu vim, um lugar acanhado no meio do nada, é um planeta pequeno, porém aconchegante, onde não vivem duas pessoas. Atualmente estou neste lugar com mais de cento e oitenta e cinco milhões de seres “correndo sobre este mesmo velho chão”. Eu trouxe do meu berço educação. Também fui pra escola receber a educação formal necessária para algumas batalhas da vida. Mas vou contar um segredo pra vocês. A melhor educação eu ganhei da minha mãe e do meu pai, ganhei com os exemplos errados e os certos deles, com os meus e de todas as pessoas com as quais eu me relacionei.

Porém é necessário ter condições de fazer um discernimento correto a cerca destes exemplos. Eu posso aprender uma coisa sobre um fato e você pode aprender outra, ou não aprender nada, ou ainda aprender algo de maneira distorcida. Você pode entender uma coisa a partir de uma palavra minha dita ou escrita. Não depende só da tua inteligência, mas da bagagem que você carrega. Se você aprendeu a julgar sempre antes, ou se você aprendeu a ser amargo, ou se acostumou a ser do jeito que é, sem que ninguém te ensinasse que é errado ser assim, vai levar isso pra vida inteira e isso vai nortear as tuas relações e tuas escolhas.

Se você escolheu o caminho mais fácil você não vai me encontrar. Eu fui colhendo várias coisas pela estrada na viagem que eu fiz. Paguei caro por algumas, mas te digo que valeu muito a pena. E de tudo que carrego aqui, poucas coisas eu dispenso. E como estou muito vivo e ainda percorrendo esta trilha, por vezes pegando atalhos, outras vezes fazendo a rota mais difícil, ainda aprendo. Obtenho informações sobre mim e como um legitimo extraterrestre colho informações sobre vocês, terráqueos. Mas confesso que estou me tornando um pesquisador frustrado. Porque por mais informações que eu consigo colher, não consigo entender alguns aspectos da personalidade humana desta época. Já desisti de analisar os dados. Só observo, salvo num arquivo pessoal e jogo num canto aqui. É uma espécie de lixeira onde fica tudo de ruim. Todas as falhas, asperezas, as dissimulações de que são capazes pessoas que conheci.
Como eu já disse, não acho difícil ser e agir como eu espero. Talvez ficar esperando alguma coisa seja o problema. Isso me faz pensar que provavelmente eu morava no meio de um sonho cheio de leite condensado, que ficava flutuando numa nuvem. Uma coisa assim, doce e sonhadora. Sendo assim, a cada dia descubro mais pistas sobre mim. Já sei que sou um marciano do passado que aterrissou por engano numa época e num planeta completamente estranho e estou tentando me adaptar aos hábitos e costumes dos habitantes. Com isso, vou descobrindo do que sou feito e entendendo que todo esse conflito acontece porque eu escolhi o coração, a boa educação, a cordialidade, o carinho, a preocupação, mesmo com pessoas que eu mal conheço. E como eu disse, pago caro, e não recebo troco. Às vezes até recebo o troco, mas numa moeda que eu prefiro jogar no lixo. Não me arrependo. Eu sei que pra vocês é conveniente e cômodo o caminho mais fácil. Eu sei que já não é mais mil novecentos e antigamente.

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